Jordânia

Turismo na Jordânia: o que fazer, roteiros e dicas de viagem

Turismo na Jordânia:  o que fazer, roteiros e dicas de viagem
30 ago 2017
Atualizado em: 17/10/2017

A Jordânia desafia estereótipos. Quando eu cheguei a Amã, chovia e a temperatura era negativa. Sim, ao contrário do que muita gente imagina de um país do Oriente Médio, nem tudo na Jordânia é um imenso deserto e pode fazer muito frio durante o inverno. Viajar pelo pais é muito tranquilo e, embora tenha alguns vizinhos turbulentos, muito seguro.

Organizar a viagem também é simples. Em minha viagem, eu montei um roteiro prévio e, com base nele, reservei os hotéis por aqui. Todos os passeios e deslocamentos foram contratados em Amã e não tive grandes imprevistos. Meu único problema foi querer esticar a viagem para me perder mais um nas ruínas de Petra e dormir mais uma noite sob o céu estrelado do deserto. 😊

Por que visitar a Jordânia?

Petra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Jordânia une a tradição da cultura árabe e as facilidades do modo de vida ocidental. Tem boa infraestrutura, segurança, comida boa e original, milênios de história preservada e um povo acolhedor, disposto a facilitar sua vida.

O país soube aproveitar tudo isso para estimular o turismo, a principal atividade econômica do país. Todas as atrações são bem cuidadas e organizadas. Mas, ao mesmo tempo, você se sente um explorador ao percorrer caminhos milenares, entrar na cidade perdida de Petra ou dormir com os beduínos no deserto de Wadi Rum.

E, o principal, a Jordânia é um antídoto à mesmice, ao padrão que faz tantos lugares do mundo se parecerem cada vez mais uns com os outros.

A história da Jordânia

Mosaicos em Wadi Musa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sabe as aulas de história antiga? Na Jordânia, elas ganham forma, cor e gosto de aventura. Em um mesmo local, você encontra uma tumba da Idade da Pedra ao lado de colunas de uma antiga cidade romana. Mais alguns passos e lá está o piso de uma igreja bizantina do século IV e, logo depois, a rua de uma medina muçulmana da idade média.

São mais de 6000 anos de história, marcada por algumas das maiores civilizações e religiões do mundo. Ao pegar a estrada, você segue os passos de amonitas, assírios, babilônios, persas, nabateus (que construíram Petra), romanos, otomanos, judeus, dos primeiros cristãos e muçulmanos. Sem falar dos britânicos, que dominaram o país até a independência em 1946.

É difícil viajar pela Jordânia?

Avenida de Amã.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é à toa que a Jordânia sempre esteve no caminho dos impérios mais poderosos do mundo. Ao norte da Península Arábica, o país faz fronteiras com Israel, Palestina, Síria, Iraque, Arabia Saudita e Mar Vermelho.  Parece um vespeiro? Pois é, na verdade, uma oportunidade de ouro para conhecer o Oriente Médio sem susto, nem perrengue.

De Amã à Aqaba, no extremo sul, são apenas 330 quilômetros por boas estradas. Neste caminho, você mergulha na capital que mistura oriente e ocidente, conhece Petra, uma das 7 maravilhas do mundo, acampa no deserto que vive nas telas dos cinemas e flutua no lago mais baixo da terra.  É muita atração para um país menor que o estado de Pernambuco.

É seguro visitar pela Jordânia?

A Jordânia talvez seja um dos países do Oriente Médio mais seguros e tranquilos. Embora faça fronteira com países que passam por turbulências, como Iraque e Síria, não encontrei nada que lembre conflitos e guerras. Pelo contrário! Amã é mais segura que maioria das grandes cidades brasileiras. A confiança é tanta que o taxista que conduziu minha família, nos levou para jantar na casa dele. E foi ótimo! 😊

Como entrar na Jordânia?

Avião

Várias companhias fazem o percurso com conexões em cidades europeias. Na minha viagem, eu aproveitei uma parada gratuita da Air France em Paris para passar alguns dias na cidade.

Emirates. Meu marido viajou depois pela Emirates, que oferece a parada gratuita em Dubai. Importante: se você ficar mais de três dias em Dubai, precisa pedir o visto com antecedência. O próprio site da empresa oferece o serviço. Se a estadia for menor que três dias, é possível conseguir o visto no próprio aeroporto. Mesmo que não pretenda ficar, é muito provável que precise passar uma noite na cidade por causa dos horários de chegada e partida dos aviões. Neste caso, a própria Emirates providencia o visto e o hotel, sem custo extra.

Por terra

As rotas mais comuns para turistas são via Egito ou Israel. Como a minha viagem para o Oriente Médio incluía também a Palestina e Israel, atravessei a fronteira duas vezes, para ir e voltar. É possível, mas não muito simples. Explico melhor no próximo post.

Como tirar o visto para a Jordânia?

Apesar das informações desencontradas no site oficial da Jordânia, é possível tirar o visto no próprio aeroporto de Amann pagando uma taxa de 50 dinares.

Quanto custa visitar a Jordânia?

A Jordânia não é um país barato. A moeda nacional, o dinar jordaniano, vale hoje mais do que o dólar, o que sempre dá aquela impressão desesperadora de que o dinheiro está escorrendo das mãos.  Mas é possível, sim, viajar sem gastar demais. Neste post, conto quanto gastei com refeições, transporte e entradas de atrativos turísticos.

Qual é a melhor época para visitar a Jordânia

De touca e casaco no deserto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eu viajei  no início de fevereiro, no meio do inverno no hemisfério norte. Em Amã, peguei um pouco de tudo: temperaturas abaixo de zero, chuva, neve ( pouca) e dias ensolarados. Em Petra, o frio é menor e até cai até bem na longa caminhada pelas ruínas. Já, no deserto de Wadi Rum, ele impede as atividades noturnas, o que é uma pena. E adoraria ter ficado mais tempo fora das barracas sem correr o risco de congelar!

Quando é melhor viajar? Eu voltaria na primavera, entre setembro e novembro, quando as temperaturas estão mais altas, mas você ainda não vai torrar sob o sol do deserto.

O que fazer na Jordânia? Roteiros, lugares e dicas

A Jordânia tem atrações suficientes para preencher uma semana com experiências tão diferentes que vai parecer que você fez várias viagens em uma.

Amã

Amã.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quase todos os viajantes que vão para a Jordânia, sonham em conhecer Petra. Mas segure sua ansiedade. Amã, a principal porta de entrada da Jordânia para quem vem de avião, merece pelo menos dois dias. A capital tem duas personalidades. O lado leste é mais ocidentalizado, com hotéis modernos, café e marcas multinacionais. O lado oeste guarda as principais atrações turísticas, mercados, mesquitas e o estilo de vida mais tradicional dos árabes. Não deixe de conhecer a Cidadela de Amã, o antigo anfiteatro romano, a mesquita do Rei Abdullah e perambular pelas lojinhas do centro.

Jerash

Jerash.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reserve uma tarde para fazer um bate-volta a Jerash. A antiga cidade romana, uma das mais bem preservadas do mundo, fica a 48 quilômetros ao norte da capital por estrada duplicada.

Jerash começou a ser habitado há 6500 anos, mas viveu seu auge depois que foi conquistada pelos romanos em 63 DC. Depois de várias ocupações, acabou esquecida, coberta pelas areias do deserto. Quando as escavações começaram, em 1925, revelaram uma cidade quase intacta com dois grandes portões, a praça dos arcos, o hipódromo, dois anfiteatros e uma rua com calçamento da época, cercada por colunas, lojas e fontes.

Petra

Petra.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cidade perdida dos Nabateus vale mesmo a viagem e vai muito, mas muito além da célebre imagem do templo do filme Indiana Jones. Reserve pelo menos duas noites e um dia inteiro para percorrer o parque.

Organize o roteiro para chegar no fim da tarde do primeiro dia, a tempo de assistir o espetáculo noturno Petra by night. Se deixar para o dia seguinte, vai estar tão esgotado que pode não sobrar energia para voltar. Sem contar que o impacto de entrar pela primeira vez na cidade sob a luz de velas é daquelas experiências que a gente leva para a vida.

O caminho do Rei

Vista a partir da Estrada do Rei.

A estrada que leva de Amã a Aqaba pelo oeste do país, passando perto do Mar Morto e da fronteira com Israel e Palestina, é uma das mais belas do Oriente Médio. A antiga rota comercial hoje é um bom lugar para conhecer o artesanato do país e provar a boa comida árabe.

A viagem demora mais do que pela duplicada Rodovia do Deserto, que corta o centro do país. Mas vale cada minuto. Entre Amã e Petra, conheça os mosaicos de Madaba e o Monte Nebo, onde Moisés teria avistado a terra prometida. Ao sul de Petra, há ainda a Reserva de Dana e o Castelo de Karnak que não cheguei a visitar por falta de tempo mesmo.

Mar Morto

O lago de águas azuis, cercadas pelo deserto e pelas montanhas, divide os territórios de Jordânia, Israel e Palestina. A concentração de sal, uma das maiores do mundo, gera aquelas fotos infalíveis de pessoas boiando sem nenhum esforço ou besuntadas da lama, que teria propriedades medicinais.  Eu visitei o Mar Morto do outro lado da fronteira, na minha viagem à Israel e à Palestina. Mas o lado jordaniano também tem bons resorts e o local onde Jesus teria sido batizado.

Deserto de Wadi Rum

Wadi Rum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você pode até não ter ouvido falar, mas com certeza já viu a paisagem de Wadi Rum em algum lugar. O grande deserto ao sul da Jordânia foi cenário de vários filmes como clássico Lawrence da Arábia e mais recente Perdido em Marte. As locações são hoje paradas obrigatória nos tours organizados pelos beduínos.

São eles também que recebem os turistas nos acampamentos do deserto. Mas não pense numa tendinha improvisada no meio da areia. Os alojamentos têm boa estrutura, alimentação e programação noturna. E um céu tão incrível que dá vontade de passar uma temporada por lá..

Aqaba

Fica às margens do Mar Vermelho, no extremo sul da Jordânia. Conheci a região em outra viagem e achei mais interessante priorizar os outros destinos do país neste roteiro. Mas a cidade é uma boa parada para quem entra na Jordânia pelo Egito ou se você quer pisar nas aguas do Mar Vermelho.

Meu roteiro

Nosso acampamento em Wadi Rum.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foram 6 noites na Jordânia. Duas em Amã, duas em Petra, uma no deserto de Wadi Rum e mais duas noites em Amã no final da viagem aproveitando para visitar Jerash.

Dia 1–  Chegamos no começo da tarde e, como chovia muito, demos uma volta pelo centro antigo da cidade. Noite em Amã.

Dia 2–  aproveitamos o sol do início da manhã para conhecer a Cidadela de Amã. Seguimos para Petra pela Estrada do Rei, parando em Madaba e Monte Nebo. Chegamos em Petra no fim da tarde. Noite em Petra.

Dia 3– Passamos o dia todo percorremos Petra e , depois de um banho, voltamos para o by night ( não recomendo, melhor fazer na noite anterior). Noite em Petra no

Dia 4– Aproveitando que tinha comprado o passe para dois dias, voltei a Petra pela manhã para gravar imagens. Veja o vídeo aqui. Saímos no fim da manhã, almoçamos na estrada e chegamos em Wadi Rum a tempo de ver o pôr do sol no deserto. Noite no acampamento de Wadi Rum.

Dia 5– Terminamos o tour no deserto pela manhã. Voltamos a Amã pela Estrada do Deserto. Jantar e noite em Amã.

Dia 6– Saímos cedo para Jerash. No fim da tarde, ainda deu tempo de passear no mercado de rua, conhecer a Mesquita do reio Abdullah e jantar no centro. Noite em Amã.

Dia 7– Seguimos para  a fronteira para começar nosso tour por Palestina e Israel.

<h4>Como circular pela Jordânia</h4>

Como circular pela Jordânia?

Com estradas tão boas, alugar um carro é uma boa opção para quem gosta de dirigir. Outra alternativa muito comum é contratar um passeio privado. Os hotéis normalmente têm indicações. Nós tivemos a sorte de encontrar um ótimo taxista e fizemos o tour completo com ele.

O país tem duas estradas principais. A moderna Rodovia do Deserto, com pista dupla, corta o país de norte a sul em linha reta pelo interior. Já a Estrada do Rei segue o percurso das milenares caravanas comerciais pelas montanhas do Oeste, perto do Vale do Jordão e do Mar Morto. É um caminho mais demorado, para fazer com calma, parando para curtir a paisagem e as várias atrações do caminho.

Eu viajei de Amã para Petra ou Wadi Rum pela Estrada do Rei (com alguns desvios) e voltei pela Rodovia do Deserto. Recomendo.

Distâncias:

Amã – Petra pela Estrada do Rei: 249 Km (quase 4 horas)

Amã – Petra pela Rodovia do Deserto: 235 km (3 horas)

Petra – Wadi Rum pela Estrada do Rei e Rodovia do Deserto: 115 km (quase duas horas)

Wadi Rum – Amã pela Rodovia do Deserto: 321 km (quase 4 horas)

Comida, religião e costumes

Comida tipica no deserto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A grande maioria da população da Jordânia é muçulmana. Nas ruas de Amã, você vê de tudo: mulheres de burca (poucas), mulheres com cabelos descobertos (poucas, mais na parte ocidental) e mulheres usando véu (a maioria).

As turistas precisam cobrir a cabeça e o corpo apenas para entrar nas mesquitas. A mesquita El Malek Abdullah, de Amã, já oferece a capa na entrada.  Você também não vai encontrar bebidas alcóolicas, pelo menos nos lugares públicos.

A comida é um capítulo à parte. Você vai encontrar as tradicionais pastas, quibes e esfihas que temos por aqui. Mas também uma variedade de pratos locais, com temperos e receitas típicos da região. A carne de carneiro é muito tradicional na Jordânia e em todo o Oriente Médio, mas os restaurantes servem também frango e carne bovina.   Se você não conhece, experimente! Vale a pena conhecer os sabores da Jordânia.

FOTOS: Cassiana Pizaia

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por Cassiana Pizaia
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