Jordânia

As mil e uma faces de Amã, na Jordânia

As mil e uma faces de Amã, na Jordânia
30 ago 2017
Atualizado em: 06/10/2017

Minha principal memória de Amã é um som.

Allahu akbar, allahu akbar…  O canto dos muezzin chamando para a oração parte das centenas de minaretes da capital da Jordânia. Você pode estar numa mesquita, no trânsito barulhento da hora do rush ou no mercado de rua, onde a garganta ainda é a alma do negócio, não importa. Cinco vezes ao dia, o som envolve a cidade numa atmosfera única e difícil de esquecer.

As torres das mesquitas, de onde a música se espalha sobre os telhados, são quase os únicos pontos coloridos de Amã.  Do alto, o que se vê é um tapete ondulado de construções revestidas de rochas claras, da cor do  deserto. Mas não se engane. Ao entrar nas ruas estreitas e mergulhar de verdade na cidade, eu descobri que ela  é recheada de cores e sabores. Uma diversidade deliciosa dividia por duas partes bem distintas que giram em torno das ruínas da antiga Cidadela romana.

A Cidadela de Amã

Ruínas do Templo de Hércules.

O lugar onde tudo começou é hoje o principal ponto turístico da cidade de 2 milhões de habitantes. No topo do monte Jebel al-Qala’a, a Cidadela de Amã é o melhor lugar para ver, ouvir e começar a entender a cidade. Protegidos por uma grande muralha de pedra, 6500 anos de história se concentram ali, como um livro com páginas embaralhadas.

Vários povos poderosos da região disputaram a Cidadela e deixaram sua marca. Os romanos, com as colunas do Templo de Hércules. Os bizantinos, com seus mosaicos cristãos do século VI. Os califas muçulmanos, com palácio, cisterna e uma Medina que floresceu entre 720 e 750 d. C sob as ruínas das civilizações anteriores.

Passeando entre elas, lendo as indicações ou visitando o museu arqueológico, eu comecei a unir os pedaços do quebra-cabeça histórico que me acompanhou durante toda a viagem pela Jordânia.  Uma aula rápida essencial para refrescar a memória com as civilizações e historias mais antigas da humanidade.

Em Jebel al-Qala’a, temos também a primeira visão ampla da cidade. É onde você vai conseguir as melhores imagens de Amã. Veja o vídeo de quatro minutos que gravamos na cidade:

Amã: uma  capital entre o ocidente e o oriente

O centro

Loja do mercado de Amã.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saindo da Cidadela pelas ruazinhas que serpenteiam morro abaixo, chega-se ao centro tradicional de Amã.

Não foi paixão à primeira vista. A região é confusa e movimentada. O trânsito no horário de rush padece da mesma praga do resto do mundo. Com o adicional de buzinas histéricas e pessoas disputando espaço quase a tapa com os carros para atravessar a rua. Para nós, acostumados a proibição de fumo nos lugares fechados (que aqui pegou, graças a deus), é um incômodo respirar fumaça de cigarro junto com o café. Mesmo que seja de narguilé.

Devagarinho, uma olhadela ali, uma conversa aqui, fomos descobrindo o tradicional comércio árabe. Pequenas lojas vendem de tudo, de roupas a objetos que parecem saídos de algum baú ou de uma história das mil e uma noites. Os turistas enlouquecem e a pechincha rola solta. Eu comprei lenços de um vendedor que falava italiano e um prato com mosaicos de um palestino que não falava uma palavra em inglês.

Joalherias tipicas do Oriente Médio.

É difícil resistir a tanta tentação. Confeitarias vendem doces em grandes formas redondas. Joalherias exigem vitrines cobertas de colares e pulseiras. Pequenos restaurantes populares servem pasta de grão de bico, shawarma, espetinho de carne de carneiro e outros pratos árabes. Alguns conhecidos, outros uma completa e deliciosa novidade pra mim. Ai, ai, ai!

Caminhando pela Avenida Al Haschemi, no centro antigo da cidade, você encontra as principais atrações do centro.

Anfiteatro Romano

Anfiteatro romano.

A construção romana abrigava 6 mil pessoas quando foi erguida no século 2 d.C. Hoje, o anfiteatro é o centro de um complexo de lazer, um respiro para turistas e jordanianos no meio do tumulto do centro. Perto, funcionam o Museu do Folclore e o Museu Jordano de Tradições Populares.

Feira de Rua

É um espetáculo à parte. As barracas se espremem em uma ruazinha estreita e escondida, que nasce na avenida, quase ao lado da Mesquita Grand Husseini. Azeite, lentilhas, grão de bico, temperos e especiarias de todas as cores são vendidos a granel ao lado de legumes e frutas. E que frutas!

Em torno delas, os vendedores disputam os clientes no grito. Uma mistura de sons, perfumes e cores que deixam a gente meio tonta enquanto os jordanianos fazem a feira tranquilamente. Também mostro um pouco da feira no nosso vídeo sobre Amã.

Mesquita El Mallek Abdullah

A grande cúpula azul turquesa se destaca na paisagem. Embora a mesquita mais importante seja cidade seja recente, – foi erguida na década de 90 sobre uma construção do século VII – vale a pena conhecer. Logo na entrada há uma grande loja de lembranças e objetos árabes. Para entrar, é preciso respeitar a tradição muçulmana. Todos tiram os sapatos e as mulheres devem cobrir o corpo. Mas não se preocupe, a própria mesquita providencia uma capa para as visitantes.

Leste de Amã

A parte leste é quase uma continuação do centro. Nesta região, a mais tradicional e antiga de Amã, ficam os bairros mais populares. Acabei conhecendo um pouco melhor dela quando fui jantar na casa do nosso taxista. Conto esta história em outro post.

Conforme nos afastamos do centro, os letreiros em inglês, que quase sempre acompanham ou até substituem as inscrições em árabe em outras partes da cidade, vão desaparecendo. O árabe domina os letreiros e as fachadas do comércio miúdo, simples e animado.

Oeste de Amã

Eu preferi me hospedar no lado oeste para escapar dos hotéis do centro, mais antigos e malconservados. Mas a região, bem mais recente, podia estar em qualquer lugar do mundo. Tem prédios mais altos, letreiros em inglês, shoppings, bancos, marcas famosas. Um lugar familiar para nós e muito útil em questões práticas, como sacar dinheiro em caixa eletrônico e ou encontrar um produto de marca conhecida.

A Rainbow Street no bairro histórico de Jabal Amman é um ponto conhecido de cafés, restaurantes, galerias e lojas sofisticadas.

Do que me lembro? Dos cafés. Só ao redor do meu hotel, havia quatro! Um Starbucks e outras variações, cheios de pessoas trabalhando em laptops, jovens, estudantes. Meninas de cabelos soltos contrastam com as mulheres de lenço e algumas até de burca (poucas) do centro e do lado leste.

Informações práticas

Como circular em Amã

Para os turistas, a opção mais prática é o taxi. É tranquilo, mas não deixe de combinar o preço antes de entrar, mesmo que o carro tenha taxímetro. Alguns motoristas espertinhos tentam aumentar o valor no final. Dentro da cidade, a corrida custa em média 5 dinares. Para ir do aeroporto Rainha Alia ao centro leva meia hora e custa cerca de 25 dinares.

Onde se hospedar em Amã

Crystal Hotel, em Amã.

Os hotéis mais modernos ficam na parte Oeste um pouco longe do centro, mas o acesso costuma ser rápido.

Eu me hospedei no Crystal Hotel, que fica em Al Rabiah, o bairro financeiro de Amã, a seis quilômetros do centro. É um hotel pequeno, com bom custo/benefício. Como voltei estive em Amã três vezes (na chegada, na volta do deserto de Wadi Rum e após o roteiro em Palestina e Israel), ocupei três quartos diferentes. Sem problemas.

Os funcionários são prestativos, os quartos são bons e o wifi funciona. O café da manhã não é espetacular, mas tem uma boa variedade de pratos árabes. Em torno, há vários pequenos restaurantes, cafés e um caixa eletrônico. É possível fazer pedidos por telefone (peça os números de telefone na recepção). Sem luxo, mas tranquilo, limpo e confortável. Você também pode contratar passeios pela Jordânia na recepção. Recomendo.

Bate/volta

Jerash.

Não deixe de reservar um período do dia para conhecer Jerash, uma das cidades antigas romanas mais bem preservadas do mundo. Da capital ate lá, são apenas 40 quilômetros por estrada boa. Conheça um pouco da cidade neste vídeo que gravamos lá :  Jerash: a cidade de 2 mil anos.

 

FOTOS: Cassiana Pizaia

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por Cassiana Pizaia
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